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Curiosidade Feminina

Nasci, cresci e tenho cá um feeling de que um dia vou morrer ;)

Curiosidade Feminina

Nasci, cresci e tenho cá um feeling de que um dia vou morrer ;)

29
Jun16

Coisas #2

Nay

Como sabem, queixei-me aqui, a minha filhota esta semana foi para a universidade júnior no Porto.

Então uma das vezes que falei com ela foi mais ao menos isto:

- Mãe! Sabes aquela vozinha que eu tenho na minha cabeça?

(Atenção é aquela voz de quando falamos com nós próprios, não comecem já a distribuir números de telefone de psicólogos que para isso tenho a Sara )

- Sim filha, o que tem?!?

- Antes tinha a voz do hiccup (personagem de Como treinar o teu dragão)... agora é uma voz com sotaque do Porto, CARAGO!!!!

O que eu me ri!!!!

09
Mar16

Aturem-me só um bocadinho OK?

Nay

Faz hoje 14 anos que perdi meu pai, não para a morte mas para a vida.

A vida levou a melhor.

Deixem-me que lhes apresente o homem da minha vida:

Primogénito de uma família pobre, pastou rebanhos e comeu sopas de "cavalo cansado" desde que aprendeu a andar até decidirem entrega-lo à madrinha, porque já eram 9 lá em casa.

A madrinha, senhora de posses e devota à igreja, fazia-o passar fome porque vinha cheia de Deus, e quando o punha de castigo era fechado num quarto forrado a veludo vermelho. Adolescente rebelde, foi mandado para um colégio interno onde formou um grupo de tertúlia, liam, fumavam, filosofavam e quando mijavam à lua, do alto do monte de Santa Luzia, apelidavam-se de os cães de Victor Hugo.

Chamado para combater, como outros milhares viu amigos a partir cedo demais. Acabada a guerra tentou constituir família com uma linda mulher de raça negra... tentou, foi morta com o seu filho no ventre pelos seus pares. Numa questão de horas conheceu e perdeu o primeiro filho.

Aos 30 encantou -se pela jovem, minha mãe, que o seguiria o resto da vida. Como tantos outros foram obrigados a fugir de Moçambique, deixando para trás trabalho, casa , vida. Com um filho de 1 mês nos braços não o deixaram sair de lá. Viria depois, clandestinamente num navio de contentores.

Cá, nos seus tempos áureos, era contabilista, dava explicações de matemática, línguas ou história. Ganhava torneios de xadrez ou snooker.

Ajudou a construir fortunas à custa da sua própria miséria.

Ainda tentou ter equivalência ao 12° ano actual mas desistiu depois de um professor lhe dizer que não tinha capacidade para lhe ensinar e ter de mandar outra a merda por não saber o que estava a ensinar.

A decadência começou quando quis arriscar, a vida tirou-lhe o tapete, chamou-lhe de velho e incapaz.

Como qualquer grande génio acabou entre vícios e cansado disse à vida. .."chega".

Ele tinha alma de poeta (poemas publicados em jornais que um dia vos transcrevo )e a sua vida dava um livro.

Foi este homem, que me tratava Tânia Andreia quando estava zangado e por Carochinha o resto dos dias, que elevou a fasquia para qualquer outro que aparecesse ;)

Orgulhosamente, fui e serei a menina do papá!

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